JESUS, A EXISTENCIA FÍSICA

Por mais de uma vez já vimos a  afirmação de que não se pode provar a existência histórica de Jesus. Aqui, por vários meios, mostraremos e provaremos que esta assertiva é de má fé ou simplesmente não se pesquisou nos lugares e obras corretas.

Cito Papus em "Tratado de Ciências Ocultas-II", pag 73:

 

    "Suponhamos que nos dirigimos a profanos que exigem provas físicas, porque é impossível a um iniciado digno desse nome negar o que ilumina o plano divino, assim como é impossível a uma pessoa normal negar a luz do Sol.

    Vamos com isso recorrer às provas históricas e procuraremos ser mais exigentes do que os críticos mais severos.

    Foi graças ao artigo de Mma. H. P. Blavatsky sobre a personalidade de Cristo, cuja  existência ela negava, que tive o prazer de travar conhecimentos com essa mulher extraordinária, e que tive a ocasião de discutir durante muitas horas este assunto com ela, em Londres.

    Após estudar esoterismo cristão com um monge do monte Atos, Mma. Blavatsky compreendeu perfeitamente a diferença entre os dois princípios - Crestos e Cristos - que são uma das chaves do esoterismo cristão. Mas ela argumentava tanto com suas paixões quanto com seus raciocínios, e a discussão delicada que mantive com ela decorria justamente do fato que, como martinista, tinha sobre Cristo opiniões totalmente diferentes da maioria dos membros da Sociedade Teosófica da época.

    Ora, para afirmar a existência da personalidade do Cristo vamos eliminar enquanto crítico:

    1- Os Evangelhos que deixaremos de lado no que diz respeito ao ponto de vista crítico desse assunto, enquanto que consideramos como a luz viva no referente à devoção;

    2- Os teólogos e os padres da igreja com todos os seus argumentos metafísicos;

    3- As obras dos gnósticos e de todos os cristãos interessados em afirmar a existência terrestre do Verbo. O que nos sobra então?

    As obras dos autores pagãos e dos inimigos de Cristo: os judeus.

    Apoiando-se em Josefo, Tácito e Suetônio (historiadores oficiais do império romano), alguns autores afirmam a existência terrestre do Cristo - o que nos alegra sobremaneira. Tratam de argumentos sérios; mas não devemos esquecer que alguns críticos de má fé afirmaram que estas passagens eram interpoladas!

    A interpolação é um argumento muito usado nas academias. Não me lembro mais qual foi o egiptólogo que, não podendo explicar com seu sistema um hieróglifo, quando todos os outros do monumento explicavam-se facilmente, indagou se o hieróglifo em questão não era interpolado! Uma interpolação gravada a dez metros de altura num obelisco: Maravilhoso!

    Por conseguinte, menciono um texto pouco conhecido que não pode ser considerado interpolado, uma vez que só se encontra nas obras dos inimigos de Jesus: os talmudistas. Por outro lado, esse texto se refere unicamente a uma questão de jurisprudência. Hei-lo:

    "Talmude de Babilônia (Sinedrim pág. 67) e Talmude de Jerusalém (Sanedrim, VII, XVI, pág. 25), abordam esse tipo de testemunho nos processos criminais e, apresentando-os como lei tradicional, CITAM UNICAMENTE O PROCESSO DE JESUS no qual foi posto em uso".

 

(Graetz, Sinai et Golgotha, pág. 338, citado por Hippolyte Rodrigues Le Roi des Juifs, pág 245. Modernamente in "Revista Galileu", abril de 2004 - Artigo Dossiê -pág 41 a 52, Ed Globo).

Esse texto possui uma importância capital, porquanto prova definitivamente a existência do indivíduo que foi objeto dessa jurisprudência especial.

Além desse documento, existe um outro sobre o qual se apoia Eliphas Levi e que parece ser esseniano. Trata-se de um livro escrito pelos rabinos da sinagoga contra o Cristo e que se intitula o Livro do Impostor, Sepher Toldos Jeschouah (Papus se refere aqui aos argumentos que podem ser lidos em A Ciência dos Espíritos, de Levi, pág 19). É um livro inteiramente farisaico e anticristão. Todas as histórias abjetas e as calúnias dirigidas contra Jesus e sua família são colhidas nessa obra. Mas, por pior que seja, ela afirma, pelo testemunho dos inimigos mesmo do Cristo, dois fatos importantes.

1- A existência do Cristo enquanto indivíduo.

2- A realidade de seus milagres.

Em suma, se abandonarmos aos críticos os Evangelhos, os teólogos, os padres da igreja e os gnósticos, bem como todos os cristãos, resta-nos ainda a prova absoluta da existência histórica de Jesus fornecida:

1- Pelos pagãos;

2- Pelos rabinos contemporâneos(de Jesus);

3- Pelo Talmude.

E isso nos basta."

 

O povo judeu, também conhecido como o "povo do livro", não ganhou esta fama à toa. Têm-na por registrarem sua história minuciosamente. A jurisprudência citada por Papus em sua obra é transcrição do julgamento de Jesus. Uma prova histórica contida no Talmude. Informe-se com os rabinos talmudistas, que eles não negarão. Foi escrita por rabinos contemporâneos de Jesus.

O Talmude é um livro cuja escrita começou a mais de vinte séculos. Veja mais informações nos links ao lado (texto1 - texto2).

Não foi ocultada de ninguém a informação de que o governo romano vigente na época e os judeus, entenda-se aí os dirigentes dos mesmos e não o povo como um todo, tiveram interesse em destruir a doutrina cristã, uma vez que o cristianismo no seu nascedouro, só podia ser pregado às escondidas. Era uma doutrina perigosa que não aceitava os governantes, reis e monarcas, como representantes de Deus ou por Ele ungidos. Havia outros fatores, mas quero deixar claro que a doutrina e seus seguidores não eram benquistos.

Sendo assim, não haveria motivo algum para os judeus combater esta doutrina se ela fosse inventada a partir de um messias que jamais existiu. Seria mais fácil provar nos primeiro anos do cristianismo que a figura de Jesus de Nazaré nunca existiu. Não é o que ocorreu. A doutrina e a pessoa de Jesus foram combatidas enquanto que nunca deixaram dúvidas sobre sua existência.

O texto que Eliphas Levi publica em seu livro mencionado acima, escreve a versão que os judeus da época tinham de Jesus, com o intuito de desmoralizar a pedra fundamental da doutrina cristã. Reproduzo abaixo algumas parte do mesmo.

 

    "HISTÓRIA DE JESUS

    Segundo os Talmudistas

    No ano 667 do quarto milênio após a criação do mundo, durante a época do rei Janeu, aliás denominado Alexandre, uma grande desgraça veio em auxílio aos inimigos de Israel.

    Surgiu então certo miserável, homem sem consciência e de maus costumes, originário de um dos ramos extintos da tribo de Judá, cujo nome era José Panther. (...)

    ...Tinha uma vizinha viúva cuja filha se chamava Maria. Essa mesma Maria, cabeleireira de mulheres, é citada em vária passagens do Talmude. Essa jovem, atingindo a adolescência, foi prometida em casamento a um jovem chamado Joanan, dotado de grande modéstia, insigne doçura e verdadeiro temor a Deus.

    Mas, por infelicidade, aconteceu que José,  passando diante da porta de Maria, viu-a e sentiu crescer em si uma paixão impura com ela.(...)

    ...José Panther ... tendo se vestido como Joanan e encoberto a cabeça com a capa... conduziu-a para dentro de casa. Ela pensava que fosse Joanan, seu noivo e disse-lhe:

    - Não me toques, não chegou a hora que devo ser tua. E nesse momento estou protegida contra ti pelas enfermidades comuns do meu sexo.

    Mas ele, sem ouvi-la, realizou seu mau intento e voltou à sua casa.(...)

    Em seguida, Maria tornou-se mãe de um filho a quem deu o nome de Jehosuah, nome de seu tio materno”.

     Tudo isto foi extraído e traduzido textualmente do Sepher Toldos Jeschus”.

 

Nos diz ainda Levi que a primeira juventude de Jesus é contada como se segue - segundo os autores talmudistas de Sota e Sanedrim -, que encontramos citados na página 19 do livro da disputa de Jequiel."

 É importante lembrar que apesar de contar uma outra versão da vida de José, Maria e Jesus, a obra não nega a existência e nem os prodígios de Jesus.

Temos assim: os documentos do império romano datados de pouco mais do que a morte de Cristo; os escritos do Talmude, também contemporâneos daquele; e os judeus modernos que, segundo me informaram, vêem Jesus como um grande profeta. Não vejo o que poderão falar hoje aqueles que tentam destruir esta passagem histórica.

É interessante lembrar que a discussão sobre este tema é recente e vem de "cristãos". Será que aqueles que viveram poucos anos após Jesus não teriam mais condição de contestar isso? Quem tem condição melhor de verificar a prova existencial de Dom Pedro II, nós, que vivemos hoje ou supostos historiadores do ano 3500?

Temos ainda livros no novo testamento (1 e 2 aos Tess, do ano 51; Gal; 1 e 2 Cor - Fil - Rom , anos 54 a 58; Col ,1 Tim - Ef 1 e 2 Tim - Tit, anos 61 a 67; 1 Ped - Mc - Mt - Heb Lc - Act - Epist Católicas, cerca dos anos 70) que foram escritos em época em que existiam contemporâneos de Jesus. Por que não foi contestado nesta ocasião? A contestação da existência de Jesus é bem recente e parte daqueles que outrora se denominavam cristãos. Estranho não?

Livro: Uma Introdução ao Comentário Judaico da Bíblia, de Bernard M Casper - Biblioteca Judaica Popular