O ARCANO CATORZE - A TEMPERANÇA

 

Título - A Temperança, O Alquimista.

Insígnia - o anjo, os jarros, o fluído.

Número - catorze (14) - Letra: Nun נ.

Objetivo - integração entre os opostos ou complementares.

Meios: justiça interior e autocontrole, ouvir a voz da consciência.

Obstáculo: inabilidade de resolver situações que apresenta oposição, tentar resolver os problemas externos com reflexões teóricas ou de resolver problemas internos com ações físicas.

Um conselho - viver o mundo interno e externo com igual importância.

Uma recomendação - não investir terceiros com a sua autoridade interior.

Um apelo - a experimentação da alquimia interna..

Estamos na quinta carta do caminho de Ísis.

Em alguns baralhos, a figura central é uma mulher (egípcio), em outros (como o Wirth e Waite) aparece um anjo. Ambas as figuras traz nas mãos jarros, de cores opostas, em que um líquido é passado de um recipiente para outro. Algumas lâminas trazem ainda um lago ou fonte aos pés da figura central que está com a atenção totalmente voltada para sua atividade.

Ísis era representada, pelos gregos antigos, de maneira muito similar a esta figura. Trajava túnicas longas e frouxas e possuía asas douradas. Também esta carta é similar à Aquário, no zodíaco.

No mago, que traz a lemniscata (o oito deitado, símbolo matemático de infinito) e nas figuras que são coroadas, o poder é divino, ou seja, esses são investido desse poder por uma autoridade superior, verdadeira detentora do poder. No presente arcano, a figura é de um anjo, portanto, mostra poder em sua natureza própria. Não é investido, faz parte de sua natureza este poder.

O dual, apresentado no carro, na justiça e em outros arcanos, não aparece aqui como opostos, mas integrando-se, com uma mesma natureza ou essência.

Quando fomos criados por Deus, o fomos em espírito. Esta palavra traz a mesma raiz de espirro, de espirar, ou seja fomos "exalados" de Deus. Aí está a essência de cada um de nós, a nossa parte que é mais próxima do Criador, a que pode contemplá-Lo face a face. A inteligência associada a essa nossa parte, que origina todas as demais quando entra no reino da criação ou árvore da vida, é o inconsciente ou supra-consciente. Esta é clara, é o verdadeiro mestre pessoal de cada um. O objetivo de todo mago e integrar-se no Uno, e isso só é possível quando se atinge a esta inteligência. Isso devido a ele, o supra-consciente, ser a verdadeira inteligência. Verdadeira no sentido de ser a que origina todas as demais na medida que avança rumo ao reino físico.

A estas inteligências menores geradas juntamente com os corpos que adquirimos nos diversos planos da criação, chamamos de subconsciente. São como interfaces, amortecedores, que passam as necessidades da primeira inteligência (inconsciente) para a última, a do reino físico. A forma mais nítida de comunicação do subconsciente conosco são os sonhos, onde sua linguagem é figurativa, ou melhor, esta é a forma que nossa consciência tem capacidade de compreender o que nos é repassado pelo subconsciente.

A inteligência que utilizamos no cotidiano chamamos de consciente. Esta preocupa-se com a nossa integração com o meio em que vivemos. Necessita por demais do subconsciente para estar com o que o não iniciado chama de "contato consigo mesmo". Esta expressão nada mais é do que a falta que sentimos, aqui no reino físico, da nossa parte divina, da nossa essência, do nosso inconsciente. Mas por ser de uma natureza muito superior ao nosso atual estado, o supra-consciente não pode contatar diretamente o consciente, pois isto seria desastroso para o segundo, seria a loucura. A realidade, as percepções, os objetivos e a energia da primeira inteligência e por demais diferentes da última.

Em vista de tudo isso é que surge a necessidade de existência do subconsciente, a voz interior, o anjo da guarda que ouvimos e, às vezes, vemos.

Neste arcano, o anjo mistura nas ânforas o liquido que pertence a ambas. Pode ser muito bem representado por uma mulher, a figura central, devido a esta representar o subconsciente. Aparece como um anjo para representar mais precisamente a impressão que a maioria de nós temos quando este se aproxima, uma presença superior que é sempre atribuído a um ente externo de grande elevação. Em relação a posição dos vasos, diria até que me simpatizo mais com os baralhos que trazem o pote mais elevado na mão esquerda, pois nossa esquerda representa o subconsciente também, assim o liquido verteria da inteligência superior para a inferior, como é na natureza.

A associação dos complementares é uma necessidade na evolução, pois dentre outros benefícios, acabam-se os conflitos internos, os temores infundados e o sentimento de vazio interior, comum nos dias de hoje. Positivo e negativo, Yng e Yang, ativo e passivo, consciente e subconsciente precisam ser integrados como o líquido que flui de uma ânfora para outra, sem nunca deixar de percorrer ambas.

Este líquido não é azul nem vermelho, ou nem preto ou branco; é sempre de uma cor neutra em relação as cores dos jarros na mãos do anjo. Isso nos mostra que a o conteúdo é o mesmo, apesar de apresentar-se em vasos diferentes. Aqui não deverá haver conflitos, mas integração dos pólos ou opostos.

Somente através desta nossa inteligência superior e que podemos ter contato com formas e planos superiores ao físico. É vital para nos introduzir no mundo dos arquétipos, pois esta é a lingua primeira do subconsciente, a que ele nos fala nos sonhos e nas visões. Este é o verdadeiro sentido do conhecimento interno, do "conheça a ti mesmo". Ele sempre esteve presente a nós, esperando o momento em que estenderíamos a mão para ele. Só assim poderíamos encontrá-lo.

Este momento no tarot simboliza quando podemos "dialogar" com esta inteligência, que muitas vezes chamamos de outro, como fazemos com nossos amigos mais íntimos, aqueles a quem confiamos tudo que nos é valioso, inclusive nossa vida. O mais importante nesta carta talvez seja o conhecimento de que somos nos mesmos que conduzimos tudo. O anjo, a mulher, o outro surge de nossa necessidade de a tudo personificar.

Algumas das figuras centrais trazem um símbolo na testa, representando o terceiro olho, aquele que se abre para a vida eterna, reforçando tudo que já foi dito. Este olho é capaz de enxergar a verdadeira potência que habita em cada um dos filhos de Deus.

É muito desejável que isso aconteça a nós, mas lembremos que este é o arcano catorze, ou seja, finaliza o segundo terço do tarot, longa foi a jornada até ele. O iniciado deve atentar para que este momento não se torne uma obsessão, uma ancora que o impedirá de atingi-lo. Deve se preparar para este momento afim de que possa acontecer, mas nunca forçar o momento, pois como uma inteligência superior, o subconsciente saberá a melhor hora para que tudo ocorra. "Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece". Deverá então ter temperança.

Um caminho perigoso, mas possível, é apressar o momento em que deve despertar para esta nova realidade. Perigoso por isso lhe trazer capacidades extraordinárias, mas que achamos que somos capazes e responsáveis para lidar com as forças diretoras dos universos, e somos dominados por elas. Surge o mago negro, aquele cuja vontade impera sobre seu meio.

Esta mistura não deve ser forçada, deve ocorrer de forma natural e contínua, como o líquido, que é representado pelo elemental água, o agente das transformações lentas, o solvente universal da ciência clássica.

Sabemos então que o plano existencial superior é que origina e molda o plano subseqüente, assim como o inconsciente faz com o subconsciente e este faz com o consciente. Sendo assim, o nascimento do homem no nosso universo físico está estritamente condicionado a este fato. O momento da entrada de um novo indivíduo neste plano é singular. O corpo formado para abrigar a inteligência que adentra o reino da matéria deverá ser rigorosamente compatível com o padrão da vibração de seus corpos superiores, e assim o será pois estas vibrações e que moldarão o corpo físico.

Assim, o momento em que a criança é concebida ocorre em perfeito alinhamento planetário, a posição de todos os astros (que são bases físicas das energias operadoras do universo) é tal que permite inteligência que encarna imprimir seu padrão energético pessoal inteirando com o novo universo que adentra. Assim, não temos determinadas característica por que nascemos em determinado dia, mas sim, nascemos no determinado dia e local por termos tais características.

Isso tudo se reflete também no momento da fecundação. De milhares de espermatozoides, somente um fecundará o óvulo. Não será o primeiro a chegar nem o mais forte ou "mais bonito". Será aquele que apresentar um padrão energético (suas características dos cromossomos) compatível com o ente que se liga naquele momento a matéria. Por isso, nem todas relações sexuais, mesmo em momento considerados férteis, geram filhos. Há algo mais, e preciso um perfeito casamento de matéria e alma para ocorrer a fecundação.

Nosso padrão pessoal de energia, nossa vibração característica, é parte da nossa essência. Ela é tem a capacidade de imprimir no Grande Agente Mágico, ou luz astral, nossos corpos e nossas obras. Temos duas capacidades que são as maiores ferramenta para manipular a luz astral, anteriormente já descrita: a emoção e a vontade.

Uma vontade firme, um pensamento objetivo, assim como nossos sentimentos e paixões são como mãos de escultores na argila (já explicamos este processo em outros arcanos). Como em nossa passagem neste reino não podemos deixar de sentir e de pensar, formamos, pelo menos, um corpo mais sutil que o físico, mais ainda assim deste universo. Um poderoso corpo que é capaz de moldar nosso próprio corpo físico e o ambiente que nos cerca. É o mesmo corpo que utilizamos em desdobramento, projeção da consciência ou viajem astral, quando feita neste plano material.

Nossa consciência simplesmente se desloca de veículo, ficando livre da matéria densa e utilizando uma corpo, digamos, formado pela forma mais sutil, a teia básica que a tudo origina no mundo físico. Alguns conseguem manter o consciência em ambos ou até nos corpos mais sutis de outros planos.

Lendas, como as citadas por Eliphas Levi, de lobisomens que aparecem em determinados locais e épocas, nada mais é do que a projeção destes corpos pseudo/emocionais de indivíduos cujo os pensamentos e sentimentos são muito próximos dos animais, a ponto de imprimir esta forma em seus corpos sutis. Os superexcitados pelos medos, lendas e temores, são capazes de ver estas formas assustadoras.

Quando reagem ocorre alguma agressão as formas espectrais, a energia que é capaz de interferir e ferir assim essas formas, também fazem ao físico, pois, não esqueçamos, o corpo sutil imprime suas características e deficiências ao corpo físico.

Devido a esta característica interdependente dos corpo é que é possível aos videntes perceberem doenças e anomalias com as pessoas antes de se manifestarem no físico.

Também é por este motivo é que são possíveis os enfeitiçamentos como já foi explicado também em cartas anteriores.

Somos produto de nossa vibração, de nossos pensamentos e sentimento. Portanto, o que faz a diferença do modo em que vivemos somos nós, como encaramos a vida e a nós mesmos. Sendo assim, sempre podemos fazer a diferença, somos peças fundamentais do universo.

Nas leituras

Moderação, equilíbrio, autocontrole, serenidade, harmonia, paciência, estabilidade, fecundidade, circulação de forças vitais, regeneração, purificação, experiência, capacidade de avaliação.

INVERTIDA: Discórdia, desunião, esterilidade, apegos às minúcias, frustração, inabilidade, falta de diplomacia..